mercoledì 6 ottobre 2010

Bem de amar alguém

Carolina Tomasi


“[...]
não se decide amar e nem a quem
ninguém comanda a tentação que tem
cupido não divulga quando vem
deixando o alvo tenro sem porém
[...]
amar alguém não tem explicação
não há como conter um furacão
os corpos vivos sofrem atração
apaixonados não têm coração
[...]
querer acaba quando já se tem
amar é só continuar querendo
embora cause tanto sofrimento
amar alguém só pode fazer bem
[...]”
Arnaldo Antunes

“Toalha molhada
Lâmpada acesa
Cidade parada
Tudo é você”
Adriana Calcanhoto

Tudo parado. Cidade parada. Luz desligada. Cortaram a força. Arnaldo se esquecia de pagar as contas de casa. Toalha molhada na cama. Vela no chão. Tv desligada. 130 km de congestionamento na cidade. Eu preciso do beijo do Arnaldo agora! Tudo era ele. Coisa ruim era ele. Coisa boa era ele também. Noite chegando. Nuvem de chuva. Tarde apagando. Eu preciso do beijo dele agora! Onde ele andaria? Celular sem sinal. O dele. O meu sempre tinha. Ele nunca me ligava. Ele aparecia. O beijo dele. Eu queria agora! Acendi mais três velas. Uma pra mim. Outra pro Santo. Outra pro apagão por falta de pagamento.
Banho frio. Cortaram a Light. Medo de cair. Escuro. Medo de água gelada. O desejo do Arnaldo acabou quando ele me teve. Peguei o celular. Disquei. Apertei o verde. Me arrependi. Apertei o botão vermelho. Desisto. Era só esperar. Só não. O só parece pouco. Esperar não é pouco. Pouco pra quem tem de fazer. Eu tinha de esperar. E Muito! Muito pra quem espera. Pouco pra quem faz... Ele tinha que vir e me beijar. Agora!
Já passa da hora. Eu preciso do beijo dele agora! Era só ele continuar querendo me amar e estava tudo resolvido. Tudo seria muito. Excesso também não dá. Amar o Arnaldo me causa sofrimento. “Mas”. Por que sempre tem de ter MAS, PORÉM, CONTUDO, TODAVIA?... Mas amar Arnaldo só pode me fazer bem. Eu preciso do beijo dele agora! Só se eu fosse procurá-lo por São Paulo inteira mesmo tendo de enfrentar 130 km de congestionamento. Madrugada afora. Tudo era Arnaldo. O cheiro dele pela casa inteira. Ou eu me contentava com o cheiro dele no lençol, ou eu saía por aí. Eu não decidi amá-lo nem tive o aviso prévio do meu cupido. Agora, aguenta, Helena! Não tinha explicação.
Peguei a toalha molhada. Me esparramei na cama. Vento na janela. Botei a cabeça pra fora da cabeceira. Não dava pra ver o teto do quarto. Eu quero o beijo dele agora! Parece canção de novela... Cheirinho dele no travesseiro. Não dava pra conter. Furacão. Tentação. Esperar o Arnaldo e nada mais. Apaixonados têm pouco coração.

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